Resumo Histórico
A Freguesia da Glória integra
a parte mais alta e aplanada da cidade, à margem
esquerda do "canal central" da Ria de Aveiro
que atravessa toda a cidade. É uma Freguesia
urbana e rural, moderna e aberta completamente ao exterior.
No entanto, até ao inicio do século passado,
estava ainda em parte, metida dentro das muralhas que
cingiam a parte mais nobre de Aveiro, ou como se dizia,
o bairro do "Infante D. Pedro".
Hoje em dia a cidade mudou imenso e perdeu tanto dos
seus locais mais históricos, que vale bem a pena
recordar, muito sumariamente, como era esta sua parte
num passado ainda não muito distante no tempo.
O centro cívico no século passado estava
organizado em redor da Matriz de S. Miguel (demolida
em 1835), que ficava no largo que actualmente é
a Praça do Município ou da Cadeia, como
se dizia então. No mesmo "adro" havia
uma albergaria de S. Brás pertencente aos Condes
de Vila Pouca. Hoje é aí o Liceu. Algumas
pedras sepulcrais do lajeado dessa Matriz, servem agora
de chão ao átrio dos Paços do Concelho
e alguns dos retábulos da Matriz de S. Miguel,
foram parar à Igreja de S. Domingos (hoje Senhora
da Glória). Em redor, ficavam as Capelas de Santo
António (ou dos presos), a de Santo Ildefonso
e Santa Catarina e a de S. Sebastião, junto à
velha Fonte dos Amores. Era este centro cívico,
o coração do burgo aveirense e neste aspecto
ainda o é, embora em termos paroquiais e de Freguesia,
a situação se tenha alterado substancialmente.
Até por volta de 1570, S. Miguel era a única
paróquia de Aveiro. Já então contava
com cerca de 11.365 "pessoas de comunhão",
um número que obrigou à divisão
em quatro paróquias, ficando esta como Matriz
e tendo sido criadas as vigararias da Vera-Cruz do outro
lado do canal central, do Espírito Santo e a
de S. Gonçalo (depois Nossa Senhora das Candeias).
A Matriz de S. Miguel continuou a presidir à
parte mais nobre e distinta da cidade que era quase
toda amuralhada. A vigararia do Espírito Santo,
compreendia entre outros lugares, o lado Sul da Rua
Direita (antiga Rua da Santinha) e todo o bairro do
Alboi. Era um espaço semeado de Casas Solarengas
onde moravam várias famílias nobres entre
as quais se contava o Paço dos Duques de Aveiro
(depois tornado Convento das Carmelitas). Aí
estavam também as notáveis Igrejas da
Misericórdia e as capelas dos Santos Mártires,
de Santo António e um recolhimento de S. Bernardino
(cuja igreja chegou a servir de Sé).
A 11 de Outubro de 1835, as quatro paróquias
ficaram reduzidas às duas actuais, a da Vera-Cruz
e a de Nossa Senhora da Glória.
A paróquia de Nossa Senhora da Glória,
com Matriz no templo que servira aos frades de S. Domingos,
ficou com os territórios das históricas
paróquias de S. Miguel e do Espírito Santo.
A Igreja de S. Domingos, que foi mandada construir pelo
Infante D. Pedro, filho de D. João I, o Mestre
de Avis, tornou-se pouco a pouco o novo centro aglutinador
da cidade. Na sua área, ficavam os Mosteiros
de S. Domingos e o de Jesus, (hoje um notável
Museu). Ao lado, ficava o Convento de Santo António
e a Igreja de Santo Ivo (da Ordem Terceira de S. Francisco).
Pelos principais lugares da Freguesia, ficavam, a capela
de S. Gregório (Senhora da Ajuda), de S. Sebastião
(à saída para o lado sul, junto à
Fonte dos Amores), a de S. Martinho e a de S. Bernardo
(no lugar do mesmo nome), a da Senhora da Guia (perto
da Alameda de Santo António), a de S. Brás
(na actual Quinta do Gato), a da Cruzinha (onde havia
a invocação a S. Cristóvão
na Rua da Santinha, actual Rua Direita) e a de Santo
Amaro (no actual lugar de Vilar).
Na actualidade, a Freguesia da Glória, já
só na memória histórica, recorda
a nobreza que a habitou. Quanto ao clero, ele está
mais representado, uma vez que a Matriz da Glória
é ao mesmo tempo a Sé Episcopal e também
porque, os monumentos ainda recordam a presença
da Igreja. Mas é fundamentalmente na dinâmica
popular e na vida dos cidadãos de Aveiro que
assenta aquela coincidência com o tempo, com o
progresso e com a modernidade. É de tal ordem
notável o ritmo de crescimento urbano e o esforço
por engrandecer com harmonia a Freguesia da Glória,
que em pouco mais de uma década a cidade, e a
Freguesia com ela, parece outra sem deixar de ser a
que sempre foi. E é neste passado com futuro,
que os aveirenses são mestres.
Não espanta assim que os serviços sejam
a principal fonte geradora de emprego. Que praticamente
não haja desemprego, e que, a media dos rendimentos
familiares e o poder de compra superem bastante as médias
regionais e nacionais. Já em 1991, a taxa de
actividade se aproximava de 50%. Para além disso,
a população é preponderantemente
jovem, em grande parte devido à presença
em massa, de jovens universitários. Esta presença
da Universidade é aliás, indiscutivelmente,
a melhor e mais bem sucedida aposta que Aveiro fez nos
últimos anos.
Como resultado de tudo isto, nada ou quase nada falta
em infra-estruturas e em qualidade e conforto de vida,
à população residente na Glória.
Apenas no âmbito dos estabelecimentos de apoio
social e de solidariedade, as carências se manifestam
com aspectos gravosos. De facto, é manifestamente
insuficiente o apoio que é prestado à
Terceira Idade e há muito que fazer na integração
social e cultural da população dos bairros
mais marginais e periféricos à cidade.
No âmbito desportivo, a referência incontornável
vai para o Sport Clube Beira-Mar, mas também,
para a "velha" e gloriosa Sociedade Recreio
Artístico e para o também histórico
Clube dos Galitos, além de outras associações
prestigiadas nos desportos náuticos, na pesca,
no campismo e outras áreas que exploram com êxito
as excepcionais condições para a prática
desportiva que a Ria proporciona. Do ponto de vista
da cultura, é possível que quem vive em
Aveiro, sinta que há sempre algo por fazer, mas
a verdade é que, a dinâmica criativa, associativa
e cultural dos aveirenses é reconhecida a nível
nacional e internacional. Neste aspecto e para finalizar,
apenas uma nota para realçar a forma como as
associações locais, tal como as infra-estruturas
da cultura e lazer e dum modo geral todas as actividades
cívicas, têm notória presença
na Freguesia da Glória, realçando o papel
desta Freguesia ao serviço da população
aveirense.
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